Era como ter todo o ar de seus pulmões extinguidos. Ela buscava respirar, mas não parecia funcionar. Seus músculos se contraíram mais e com os olhos fechados e as pálpebras fortemente pressionadas, Beatriz desejou fervorosamente estar em outro lugar.
Um lugar feliz, um lugar feliz, pensou consigo mesma, mas não conseguiu achar uma parte sequer em todo o mundo qual não o envolvesse, que não fizesse seu coração se apertar mais ainda e sua mente se encher de imagens que minutos atrás ela desejara esquecer.
A vida pode ser tão mais fácil, quando vista de fora. Ninguém nunca imagina o tamanho da destruição que uma mentira pode causar, que um simples ato pode ocasionar.
- Bia... - a voz de Dougie ecoou pelo cômodo silencioso e Beatriz deixou que todos aqueles pensamentos se perdessem.
Mas ela não podia se perder! Não podia deixar que seu corpo caísse mais uma vez naquele maldito poço e que jazisse sem vida, sem vontade, sem cor. Porém, era justamente isso que ela não conseguia e muito menos sentia que deveria evitar... Tudo ficava sem cor quando Dougie não estava, tudo perdia o sentido, e todas essas coisas voltavam ao seu lugar assim que Beatriz encarava seus olhos azuis e percebia que neles estavam contidos toda a sua essencia.
Então, no meio de tantas coisas recuperadas, ela perdia a mais importante. Seu chão.
- Me desculpa Dougie, mas eu simplesmente não... Eu não posso.
Então seu corpo desfaleceu e todos os seus sentidos se perderam ao ver os olhos que tanto amava se encherem de lágrimas. Seus ouvidos perderam a capacidade de audição e nada do que Dougie falava lhe fazia algum tipo de sentido.
Eram tudo mentiras. Toda a sua vida era baseada em mentiras. Toda a sua essencia e existência. E aquilo ela não poderia mais suportar, por mais perdas que lhe implicassem.
sábado, 4 de abril de 2009
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