Houve um barulho vindo de trás e a garota parou de andar no mesmo instante, sentindo todo o seu corpo parar estático, alarmado. "Ótimo, era só o que me faltava, algum tarado atrás de mim!", pensou antes de virar-se com cautela.
Então seu corpo ficou mais tenso ainda, só que de uma forma boa, de uma forma conhecida. Seus lábios se curvaram num sorriso e os do garoto à sua frente também. Dougie estava com os cabelos - numa tentativa desastrosa - postos atrás da orelha, molhados, provavelmente de suor, já que ele teve um show agora à noite.
Deus! Que horas eram agora? O show dos garotos já havia acabado?
- Me seguindo, Poynter? - ela brincou e aproximou-se ainda sorrindo.
- Como você quiser interpretar - ele não se explicou, ele nunca se explicava e aquilo era bom nele, neles - O show acabou agora e eu pensei em passar aqui e te pegar para irmos pra casa juntos.
- E como sabia que eu ainda estava no trabalho? Não acha que é muito tarde pra mim? - Beatriz mantinha as mãos nos cabelos dele, não se importando se estavam suados ou não, era sempre bom passear seus dedos por ali.
Ele fechou os olhos por alguns segundos antes de responder.
- Sabendo.
Ele sempre sabia.
- Então acho melhor irmos para casa - ela disse finalmente, abaixando a mão que estava no cabelo de Dougie segundos antes e segurando sua mão firmemente. Ele a apertou de forma delicada e ambos sorriram um para o outro.
Nunca paravam de sorrir, nunca paravam de se olhar. Aqueles olhos azuis que pareciam dominar todo o seu corpo com um simples olhar, que parecia eletrocutá-la internamente.
- Senhorita Barbosa? - Beatriz escutou alguém chamar seu nome e abriu os olhos, vendo uma moça em sua frente com roupa de aeromoça e um sorriso simpático. Olhou em volta e percebeu que estava numa poltrona de avião. Oh, não! Ela estava num avião, e aquela mulher era realmente uma aeromoça! - Nós já chegamos no Brasil, queira por favor, apertar os cintos para o pouso.
Ainda meio sonolenta e confusa pelo sonho que teve, Bia apertou seus cintos e virou-se para olhar a pequena cidade do interior brasileiro na qual o avião pousava.
Fora tudo um sonho. Ela não o tinha mais consigo. Todos aqueles meses em Londres haviam evaporado da mesma forma que vieram, e não sentir o corpo de Dougie ao seu lado a fez sentir como se tudo estivesse fora do lugar, como se tudo estivesse errado.
Nada era certo sem ele. Nada nunca foi certo sem ele. E sentindo seus ouvidos se tamparem por causa da queda de altitude, ao mesmo tempo que seu coração acelerava e seu estômago parecia despencar - ambas as coisas por causas diferentes da do ouvido - ela se deu conta de que, realmente, nada nunca viria a ser certo sem Dougie ao seu lado mais uma vez."
bia,
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